De vento em popa: Parque tecnológico de Salvador
“Começa a ser implantado na Avenida Paralela o Parque Tecnológico de Salvador. A autorização para o início das obras de infra-estrutura será assinada pelo governador Jaques Wagner, nesta terça-feira, 17, a partir das 8h30, na Governadoria.
A primeira etapa das obras terá custo de em torno de R$ 8 milhões e tem previsão de conclusão em 10 meses. Serão construídos o sistema viário e as redes de água, esgoto, energia elétrica e telecomunicações, levando em consideração o meio ambiente e o conceito de desenvolvimento sustentável… ” fonte: Atarde
Nosso parque tecnológico promete muito! Pena que nosso histórico de ver promessas cumpridas não reforça nossa esperança. O parque já ganhou site próprio, que pode ser visitado em http://www.tecnoviaparque.com.br.
Novamente sobre nossas esperanças sobre esse grande projeto na Bahia, temos um exemplo grandioso que recebi por email, de uma reportagem do Valor Econômico que fala do pólo tecnológico da Paraíba que há anos vem trazendo grande orgulho para seus participantes e para todos nós no Nordeste.
Abaixo segue a reportagem completa, pois tive alguma dificuldade de acha na fonte original.
“Pólo tecnológico coloca a Paraíba no mapa da inovação*
Campina Grande reúne cerca de 100 empresas de TI, gera em torno de mil
empregos e tem maior número proporcional de PhDs do Brasil – 600
Não é mais apenas o disputado forró de São João que atrai um sem número de “estrangeiros” a Campina Grande, a segunda maior cidade da Paraíba que divisa o agreste do sertão. Ao menos 250 novas mentes aportam todos os anos aqui para preencher as cobiçadas vagas de Ciência da Computação e Engenharia Elétrica da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG). Nos próximos cinco anos, um contingente de quase mil cérebros inundará o mercado local de tecnologia da informação (TI). É um batalhão de primeira atrás do sonho de qualquer iniciante: emprego garantido e bom salário.
Campina Grande é um dos 74 pólos tecnológicos do país, mapeados pela Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores (Anproteca). Concilia todos os predicados necessários: uma centena de empresas de TI, mil empregos gerados e o maior número proporcional de PhDs do Brasil – 600. Nos últimos anos, o setor alavancou para 43 países as exportações de software e hardware, que vão de bancos de dados de alta complexidade às mais simples recicladoras de cartuchos. Entre seus clientes estão nomes como HP, Nokia, Petrobras e Interpol, a polícia internacional para o crime organizado.
![]() |
Não é à toa, portanto, que esta cidade quente do semi-árido nordestino atraia tantos forasteiros – paulistas, gaúchos, catarinenses e nordestinos dos Estados vizinhos, numa curiosa colcha de sotaques diferentes que em comum terão a mesma trajetória profissional.
“Temos metade do tamanho de Pernambuco e estamos na pior parte do Nordeste: daqui só sai pedra e cacto. A Paraíba só poderia andar com a universidade e a tecnologia”, resume Alexandre Moura, ex-aluno da UFCG e diretor de uma de suas crias, a Light Infocon.
O boom tecnológico só foi possível graças ao tripé universidade, empresa e a entidade que faz a ponte entre as duas. Esse entendimento estratégico, essencial a todos os grandes pólos mundiais de TI, ocorreu em Campina Grande há 40 anos. Muito se deve a uma figura lendária na cidade, Lynaldo Cavalcante de Albuquerque, então reitor do campus campinense da Universidade Federal da Paraíba e depois presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
“A grande contribuição dele foi atrair cabeças, fazer parcerias com pessoas de universidades do exterior”, afirma José Clóvis Vidal, um simpático pernambucano de Guaranhuns que hoje dirige a Apel, outra gigante paraibana de TI.
Foram 13 anos de um período de ouro. Entre 1973 e 1986, a universidade campinense cresceu com intercâmbios de mestrandos e doutorandos indianos, russos, alemães e franceses. E mandou os seus alunos para fora – um luxo para muitos estudantes brasileiros nos anos de chumbo da ditadura.
Os pesquisadores da UFCG estão entre os poucos do Brasil a se debruçar sobre a computação quântica e tornaram-se referência na chamada “computação em nuvem”, uma das áreas mais quentes e promissoras da tecnologia.
A universidade, como se vê, foi a espinha dorsal para a transformação de uma economia baseada fortemente em serviços e na indústria para a de tecnologia de ponta. O pólo já responde por 20% da economia do município e projeta um salário médio da população para R$ 2,9 mil, o dobro da região.
Mas foi nessa época também que surgiu a Fundação Parque Tecnológico da Paraíba (PaqTcPB), o elo entre a sala de aula e a empresa. Com um conselho robusto de empresários, políticos e acadêmicos, a entidade atingiu uma ampla capilaridade, o que lhe permite funcionar como um “capitão que faz todos remarem para o mesmo lado”, nas palavras de Moura, da Light. Cerca de 70 empresas já foram beneficiadas por suas incubadoras, aumentando a taxa de sobrevivência das empresas novatas.
“Houve uma alavancagem muito grande com a criação do parque”, afirma Francilene Procópio Garcia, diretora de entidade, ainda que ela trabalhe com o orçamento enxuto, de apenas R$ 3 milhões em 2008. Francilene garante: “Raras são as empresas de tecnologia que fecham as portas no Estado”.
A alta concentração de cérebros também foi impulsionada por um pacote de incentivos fiscais. Pesou a recente medida do governo federal que reduziu à metade os impostos sobre exportações de TI. Antes disso, a prefeitura já tinha se encarregado de baixar uma lei reduzindo o ISS para softwares, de 5% para 2,5%. E o Estado, por fim, concedeu um desconto no ICMS para o setor – 100% para microempresas e 50% para as demais.
Nas últimas quatro décadas, Campina Grande ganhou 12 universidades, tendo a UFCG 70% das matrículas nos cursos de Ciência da Computação e Engenharia Elétrica. Na maturidade da quinta geração, o pólo faturou R$ 150 milhões em 2006, o equivalente a 5,5% do PIB local no mesmo ano.
A vocação para o desenvolvimento tecnológico deve estar no DNA campinense. A cidade do forró e da carne de sol foi precursora nos cursos de Ciência da Computação e Engenharia Eletrônica, e a primeira também a ter computador em sala de aula na região. Hoje, praticamente tudo o que o pólo de TI produz vai para o exterior com a chancela “Made in Brazil”.
(Valor Econômico, 19/12)”




Esperamos que não se torne um metrô da vida.
Abs